Criança é feliz sendo CRIANÇA.

Hoje, como sabemos, é dia das crianças. É uma das datas comemorativas de maior movimento do comércio em nosso país e por esta razão, as propagandas – sobretudo as das grandes empresas – voltam-se de maneira bastante voraz para os pequenos.

A própria data, o dia 12/10 aqui no Brasil, foi originada por princípios consumistas e instituída por lei. E quando pensamos em tal comemoração, imaginamos que ela tem como objetivo promover a luta por melhores e mais dignas condições de vida para as crianças em geral. Mas na verdade, nada mais faz do que incitar, desde muito cedo, que consumir é imprescindível para viver bem e feliz.

Esse incentivo ao consumo desenfreado ocorre de forma bastante clara e com propostas bem definidas. Reparem, por exemplo, que todos os brinquedos são separados de acordo com o que é “coisa de menino” e  “coisa de menina”: geralmente, aquilo que é destinado aos garotos costuma ser azul, envolve carros, ação, jogos, guerras e violência. Já para as garotas, é oferecido um mundo cor-de-rosa em diversas matizes, ternura, bichinhos, bonecas e brinquedos relacionados a tarefas domésticas. É raríssimo encontrarmos brinquedos que estimulem a imaginação ou que corroborem para a interação entre as crianças através de uma diversão coletiva, independentemente de gênero.

O exemplo supracitado denota exatamente como funciona a divisão sexual do trabalho em nossa sociedade. O sexismo (com amplo respaldo do sistema capitalista) é norteado por  um mecanismo começa na infância e se estende até a vida adulta, definindo e até criando necessidades para nós. Necessidades que só podem ser saciadas com produtos, estes, por sua vez, são separados por gênero.

Como nós poderíamos agir para não perpetuar este ciclo entre as crianças?

Todas as crianças têm o direito de brincar, de ter amigos e de desenvolverem plenamente as suas capacidades. Devemos criar condições para que elas façam isso livremente e para tanto, temos que buscar alternativas: massinha, jogos coletivos, quebra-cabeças, lápis de cor… Há tantas opções para pensarmos.

E quanto à propaganda, uma das principais responsáveis pelo consumo desenfreado que também afeta as crianças?

Como disse a Luka neste brilhante texto: “Negar a necessidade de se debater realmente uma regulação da mídia em nosso país beira ao analfabetismo político, pois em diversos países propagandas são proibidas durante a exibição de desenhos animados, sendo as crianças as principais responsáveis e o principal alvo da publicidade em geral”. Se entendemos que a propaganda é uma ferramenta à serviço do lucro porque promove a venda de algo, é fundamental que ela seja sim regulamentada. Em países como a Bélgica e a França, as leis relacionadas ao tema são bastante respeitadas, ainda que estas nações também sejam capitalistas. Isso não é censura, é responsabilidade social.

O que é preciso para uma criança ser feliz? Ser criança. De verdade.

Para saber mais: artigo muito interessante (e chocante) sobre a construção dos estereótipos de gênero nas propagandas destinadas às crianças. Em inglês, disponível aqui.

* Este texto faz parte da blogagem coletiva convocada pelas Blogueiras Feministas com o tema Infância, Consumo e Sexismo. Pois os direitos das crianças também fazem parte da nossa luta.

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Sobre Cláudia Gavenas

Paulistana, 26. Designer, gateira, feminista e musical. Meio perdida na vida, mas não tem certeza se realmente quer se encontrar...
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