Apenas (mais) uma reflexão natalina

"Esta é a minha cara de Feliz Natal"

     Enfim, chega o natal. E com ele, as filas intermináveis, a saga voraz pelas compras, o cansaço, o estresse. De acordo com a tradição cristã, uma das festas mais importantes do ano. Tempo de amor, paz, fraternidade e união. É tempo de presentear, de comemorar, de encher a mesa de comida. De estar ao lado da família…

Muitos são os símbolos que permeiam esta data. O “Espírito Natalino” está por toda parte e impõe-se com todas as suas forças. Não importa se a sua crença seja diferente ou se você simplesmente não crê em nada: natal, é, antes de tudo, um evento social… Daqueles que geram uma espécie de comoção e de euforia coletiva. Automática. Obrigatória.

Talvez, seja por isso que eu nunca gostei muito dessas festividades de fim de ano. Nem quando criança. Nem quando eu era cristã praticante (por imposição familiar, já que meu ceticismo sempre esteve latente). As piores recordações da minha vida envolvem noites de natal, onde brigas e uma profunda desarmonia circundavam uma mesa farta, presentes e cartões com frases feitas, e votos repetidos a cada dezembro que me recordo. Não exagero nem um pouco ao dizer que o natal causa na minha vida a mesma reação que tive quando fiz 18 anos ( e achava que tudo ia mudar): absolutamente nada. Nenhuma mágica acontece e todos ficam bondosos, serenos e fraternos de repente.

Quando alguém me pergunta como eu lido com o natal, explico que minhas atitudes equivalem às de outros eventos sociais que geram muita comoção (como uma Copa do Mundo, por exemplo): permaneço neutra. Se eu estiver com vontade de confraternizar, confraternizo. Se me derem presentes, aceito. Se eu puder presentear, o faço (e gosto, por que não?). Mas para mim, é uma data como qualquer outra. O mundo não sofre uma revolução depois que esse dia passa.

O que muitas vezes é difícil de entender é: por que confraternizar só no natal? Amar, estar unido e solidário SÓ NO NATAL? Não parece meio ilógico, ou um tanto quanto hipócrita? Já pensou nisso?
De qualquer forma, desejo amor, saúde, união, paz, amor e fraternidade para todos. Mas que seja o tempo todo. Não apenas na noite de natal. Nem só se o presente for bom ou se a comida estiver gostosa. E principalmente: para quem não comemora o natal porque – por mais incrível que pareça – tem uma fé que não é a cristã.

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Sobre Cláudia Gavenas

Paulistana, 26. Designer, gateira, feminista e musical. Meio perdida na vida, mas não tem certeza se realmente quer se encontrar...
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Uma resposta para Apenas (mais) uma reflexão natalina

  1. debora Ramos disse:

    Bom, eu acho que confraternizamos só no natal por que tinha que ter muita graana para poder bancar a ceia de natal e os presentes o ano todo. Mas concordo plenamente contigo quando diz que temos que ter confraternizar de fato o ano todo. Realmente tem neguinho que força a barra para fingir que tá tudo bem. Serião eu sempre sou mais feliz, quando não espero ser em datas não programadas, como por exemplo, no dia da bandeira.

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