Ficção científica, mas não tão geek

Sendo bastante franca,  li pouquíssimos livros de ficção científica propriamente dita. Este papel acabou ficando com os filmes, que assisti inúmeras vezes, ou com o videogame. A saga Star Wars que o diga! Na verdade, não vejo por que não começar a ler estando inspirada por boas produções cinematográficas. É um caminho muito válido.

E quando lembro do gênero de ficção, os primeiros autores que me vêm à cabeça são George Orwell e H.P. Lovecraft, sendo que o primeiro mostra em sua obra matizes de verossimilhança, sobretudo em relação ao mundo de hoje. O segundo, mais pautado pelo horror, pela fantasia, pelos mitos e por claras alusões à sociedades secretas e  à sua própria vida. Eles, ao meu ver, são autores um pouco mais subjetivos e nem por isso menos fascinantes.

Sendo assim, devido à minha bagagem curtinha no mundo dos sci-fi books, trago para o meme um livro que é super atual, intrigante e que acabou se tornando a base para uma das obras primas de Stanley Kubrick no cinema.

Dia 12 – Um livro de ficção científica

Quando eu era mais nova, não acreditava que Anthony Burgess estivese sóbrio quando escreveu Laranja Mecânica. Hoje, ao ler o livro novamente, percebo como o enredo sobre uma gangue de arruaceiros, cujo o líder é submetido a um tratamento “maluco” para deixar de ser violento faz todo o sentido.

Sob minha ótica de interpretação, o livro faz duas críticas: a primeira a alguns tratamentos, da maneira como são aplicados, não surtem nenhum efeito em determinadas pessoas; a segunda, à forma como a sociedade lida com a violência, estimulando-a cada vez mais.

Outra característica interessante da obra é a linguagem e os inúmeros termos “inventados”, como sendo próprios de uma gangue ( quem não se lembra dos drucos (droogs) ou da ultraviolência? (ultraviolence). Fora as outras peculiaridades, como as roupas brancas das personagens, o fato deles só tomarem leite e ouvirem Beethoven.

Ter visto primeiro o filme  e ter a oportunidade de ver a brilhante atuação de Malcom McDowell somada à genialidade de Kubrick fez com que eu me interessasse em ler o livro. Livro que recomendo sempre, mesmo que o tratamento Ludovico não seja tão geek quanto as populares histórias de invasões alienígenas e afins.

**P. S. Estão curtindo o desafio? Pois então confiram também as participações da Luciana, da Niara, da Renata, da Marília,  da Mayara, da Grazi, da Rita, da Tina, da Juliana , do Pádua e da Renata Lins,  blogueir@s querid@s e sempre inspirador@s 😉

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Sobre Cláudia Gavenas

Paulistana, 26. Designer, gateira, feminista e musical. Meio perdida na vida, mas não tem certeza se realmente quer se encontrar...
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3 respostas para Ficção científica, mas não tão geek

  1. Laranja Mecânica é realmente surpreendente. Aproveito seu espaço para citar meus autores prediletos de ficção científica : Além do George Orwell que vc citou muito bem, admiro também o trabalho de Aldous Huxley, especificamente em dois trabalhos seminais – A Filosofia Perene( de 1936, se eu não me engano) e o clássico Admirável Mundo Novo; ainda na linha de experimentos sociais em espaços cientificamente ficicionados outro ícone, para mim, é Philip K.Dick, com dois títulos indispensáveis: O Homem do Castelo Alto ( recentemente editado em português) e aquele que foi corpus de minha dissertação de mestrado – Maze of Death. O labirinto da morte faz 1980 parecer uma brincadeira de criança. Enfim, como esse é um blog de uma feminista, não podemos deixar de citar a premio Nobel de Literatura Doris Lessing a qual li 5 livros e fiquei encantado com a facilidade que essa autora tem de criar novos universos e linguagens. Dentre eles deixo como sugestão de leitura: The Golden Notebook. Mas qualquer livro dela é maravilhoso. Seus mundos intergaláticos não deixam nada a desejar aos universos medievais de Tolkien. Vale a pena. Bem, desculpe invadir seu espaço assim Claudia. Obrigado pelo post. Ficção Científica é sempre bem vinda. bjs

  2. Nadia disse:

    Vi o filme – brilhante, diga-se de passagem – mas nunca li o livro, apesar da minha namorada ter só 2 tatuagens em homenagem a ele rs
    Sei lá, livros de ficção científica tbm não fazem muito minha cabeça, mas fiquei curiosa.

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