28/09: uma data pelo direito de decidir

Há alguns anos atrás, era difícil para mim falar sobre aborto. Mesmo sendo feminista, este assunto era um tabu pois recebi – assim como a maioria dos brasileiros – uma educação pautada por valores religiosos que ao invés de promoverem a tolerância e a harmonia, nada fizeram ou têm feito além de disseminar o ódio. E culpar quem na verdade é vítima.

Parece clichê, mas insisto em afirmar que a hipocrisia da nossa sociedade é de dimensões sem precedentes. A sociedade que prega que ser mãe é um ato de amor e é a maior e mais plena realização de uma mulher é a mesma que, no entanto, não oferece as mínimas condições para que todas as mães possam ter direitos iguais neste processo. E é neste ínterim que milhares de mulheres morrem todos os anos, sobretudo as com menos recursos financeiros, em virtude da não existência de um sistema de saúde pública capaz de cuidar com dignidade delas.

Logo, quando propõe-se um debate que vise a garantia do direito de cada mulher decidir sobre seu próprio corpo, surgem os chamados “defensores da vida”. Mas eu me pergunto: quais vidas essas pessoas estão defendendo, visto que,  milhares de mulheres morrem todos os anos em clínicas clandestinas ou por conta da ingestão de medicamentos fortíssimos e de venda proibida no mercado formal, mas que podem ser facilmente encontrados pela internet?

Tais “defensores” são, na maioria das vezes homens, principalmente autoridades religiosas. Pessoas que nunca saberão como é engravidar e que culparão sempre a mulher pela ocorrência de uma gestação indesejada, como se o homem, o pai da criança não tivesse qualquer responsabilidade. Serão os primeiros a julgar e a “condenar”.  Pessoas que ignoram o fato de que um método contraceptivo é passível de falhas, ou que (por mais difícil que seja de acreditar) nem toda mulher tem plenas condições de exercer a maternidade.

Abortar ou não deve ser uma decisão da mulher. E deve ser assegurada pelas Leis e pelo Estado. Estado que também deve garantir contracepção gratuita para a população. Criminalizar o aborto não vai impedir que ele continue a ser realizado. Mesmo que das piores maneiras possíveis.

Quantas mais terão de morrer? É mesmo mais fácil fechar os olhos para tal questão e continuar punindo quem nada mais fez do que uma escolha?

** Este post faz parte da blogagem coletiva,  convocada pelas Blogueiras Feministas para o Dia Latino-Americano e Caribenho pela Descriminalização e Legalização do Aborto.

 

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Eu, gateira

Na descrição do meu perfil no twitter, defino-me como elurófila. Muita gente já me perguntou qual o significado desta palavra e respondi conforme a definição presente nos dicionários: indivíduo que gosta de gatos. E é verdade: eu gosto muito, mas muito mesmo de gatos e tal afinidade vem desde quando eu era muito pequena. Sim, sou uma gateira de primeira!

Não que eu não manifeste afeição por outros animais. Para mim a idéia de que nós, seres humanos, somos uma espécie superior não é só equivocada como também muito pretensiosa. Nunca ouvi falar de qualquer animal que tenha matado outro sem que fosse para se defender ou para saciar a fome. Ou que tenha trapaceado. Ou agido de má fé… Mas gatos para mim são maravilhosos e quem tem um desses adoráveis bichanos como companhia, sabe do que estou falando!

Vlad fazendo do Bóris seu "travesseiro". Podem não ter mudado a civilização estes gatinhos... Mas fazem com que minha vida fique repleta de alegria diariamente :).

Por isso, o post de hoje para o 1 mês, 30 livros fala de um livro que trás histórias divertidíssimas sobre alguns ilustres gatinhos:

Dia 11 – Um livro sobre animais

100 Gatos que Mudaram a Civilização, de Sam Stall é um dos livros mais bacanas que já li. A linguagem é irreverente, bem humorada e os textos abordam curiosidades acerca de gatos que tiveram participações, no mínimo, inusitadas em grandes momentos da nossa história.

Há fatos sobre gatos que pertenciam a grandes escritores ou cientistas e que colaboraram para as suas criações e descobertas. Há também histórias sobre outros gatos que originaram figuras já conhecidíssimas por nós, tais como o Maneki Neko  ( gato japonês que acredita-se trazer boa sorte a quem o possuir) ou a personagem Hello Kitty.

Este livro de Sam Stall é uma oportunidade bacana para quem gosta ou tem interesse em saber um pouco mais sobre esses bichinhos. Eu o recomendaria também para quem acredita que gatos não passam de animais preguiçosos, traiçoeiros ou interesseiros. Ainda hoje, milhares de gatinhos são abandonados, mal tratados e são as maiores vítimas de agressão por parte de gente covarde e ignorante.

E voltando a falar de elurofilia… Que me perdoem os que preferem cães, mas gatos são tudo, tudo, tuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuudo de bom!!!

**P. S. Estão curtindo o desafio? Pois então confiram também as participações da Luciana, da Niara, da Renata, da Marília,  da Mayara, da Grazi, da Rita, da Tina, da Juliana , do Pádua e da Renata Lins,  blogueir@s querid@s e sempre inspirador@s 😉

 

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Um clássico. Da época em que os vampiros davam medo…

Não, eu não irei bancar a chata ou a purista. Mas salvo raras exceções, poucos são os contos de vampiros da atualidade que realmente chamam a minha atenção.  É algo bastante particular, uma coisa minha mesmo…  De modo algum, retiro o mérito ou a criatividade dos autores de hoje.

Lembro-me de alguns (poucos) anos atrás quando eu estava (ou ainda estou?) numa fase mais gótica, mais sombria da minha vida e tudo isso se refletia nas minhas roupas, gostos e leituras. E foi justamente nesse período em que eu tive contato com um clássico da Literatura de Horror (sim, ela mais uma vez aqui no meme) que provavelmente, vocês já ouviram falar. E muito…

Dia 10 – O meu clássico favorito

Drácula de Bram Stocker é, sem dúvidas, o clássico da Literatura que eu mais gosto. Vi várias adaptações para o cinema inspiradas nesta obra e li alguns livros nitidamente intertextuais em relação ao original. E o que mais me atrai neste livro é a riqueza de detalhes e o primor com que todo o enredo foi desenvolvido. Horripilante e fascinante ao mesmo tempo.

Outro fator que faz com que eu goste muito deste livro é a ambientação, remetendo à Romênia. O Leste Europeu é muito interessante e suas características contribuem perfeitamente para a atmosfera de terror que circunda a publicação.

Vampiros são seres míticos (?) que sempre habitarão a nossa imaginação. Misteriosos, sempre irão despertar a nossa curiosidade e remoer sentimentos que talvez nós não tenhamos tanta coragem de assumir. Eles representam a imortalidade, a dicotomia entre o consciente e o inconsciente; o instinto e a razão. E é por isso que a popularidade deles só aumenta.

Bram Stocker (escorpiano, para variar) evocou muito bem todos os aspectos inerentes a estes seres. E foi graças a tal escritor que os conhecemos como nunca tínhamos feito antes. Através da sua influência que tantos autores brilhantes nos apresentaram, com maestria, os “seus” vampiros. Ainda que nos dias de hoje, eles não nos causem tanto medo assim…

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No momento certo

Enfim, estou de volta. Depois de uma situação muito conturbada pela qual passei e que ainda terei de superar. Juro que pensei em desistir, porque escrever infelizmente não vai resolver os meus problemas. Talvez nem os do mundo. Mas há algo em mim que ecoa tão forte, tão profundamente que fez com que eu não concretizasse tal pensamento.

Dei como título para este post e a expressão “no momento certo”. Sim, eles existem e condizem com tudo que acontece conosco. Não houve momento melhor como este para que eu prosseguisse com o 1 mês, 30 livros. Justamente porque vou falar de tristeza.

Dia 9 – O livro mais triste que já li

Foram vários os livros tristes que li. Alguns até muito mórbidos. No entanto, nenhum deles foi mais que O Caçador de Pipas, de Khaled Hosseini. Este livro foi um – e ainda é – merecidamente um sucesso. Quando temos (ou achamos ter) uma bagagem razoável de leitura, nutrimos um certo preconceito em relação aos best sellers. Talvez, pela sua popularidade, ou então para simplesmente repetir o discurso que vários teóricos usam para “ditar as regras” daquilo que é ou não Literatura.

O livro tem como ambientação um Afeganistão que muita gente não conheceu ou imaginou que existia. Ainda que nunca tenha sido um Estado Laico (como o próprio nome diz, é a República Islâmica do Afeganistão), era um país em que as pessoas exerciam com uma certa temperança, a sua cultura e seus costumes. Por mais que boa parte de nós ocidentais não concordemos com certas tradições árabes ou muçulmanas, nada justifica segregar determinado povo por conta deles. E atualmente, o que vemos é um povo estigmatizado, por razões que vão muito além dos ataques de 11 de setembro.

Mas falemos do enredo, propriamente dito: dois garotos, amamentados pela mesma mulher, viviam juntos em Cabul, na década de 70, antes portanto da invasão soviética e da “intervenção” do regime Talibã. Um deles, Amir, era muito rico e tinha tudo do bom e do melhor. Hassan era uma espécie de “criado”, que fazia de tudo por Amir. Inclusive, defendê-lo de brigas. O romance dá a entender que eles eram muito amigos, gostavam das mesmas coisas e tinham um hobby em comum: pipas.

Amir nutria por Hassan um misto de admiração e de inveja. Hassan, apesar de ser pobre e de sofrer tanta discriminação, tinha qualidades que, aos olhos de Amir, ele jamais poderia alcançar. Um dia, quando finalmente Amir teve a chance de dar uma prova de amizade, ou pelo menos de gratidão a Hassan, eis que a sua covardia prevaleceu. E a culpa o perseguiu por um bom tempo…

Não vou entrar em mais detalhes da obra, porque espero sinceramente que vocês leiam. Acho O Caçador de Pipas bastante triste por duas razões: a primeira, é que fala de um país que em meio a tanta guerra e opressão, talvez nunca será livre; a segunda é porque fala do lado podre dos seres humanos, do preconceito, das diferenças de classes e suas interferências no nosso olhar sobre o outro.

E desculpem novamente pelo “abandono”. Eis-me aqui, novamente. No momento certo!

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Assustadora é a opressão em que a gente vive.

Costumamos chamar de assustador tudo aquilo que nos causa medo ou espanto. E é de praxe que, no que tange à Literatura, a gente atribua aos contos de horror ou de suspense tal denominação.

Devo admitir que sou fã de contos de horror. Mas o livro de hoje, prosseguindo com o meme 1 mês, 30 livros, em nada lembra estes contos. Seus personagens não são vampiros, zumbis ou bruxas. E seu cenário não remete a um cemitério ou a um palácio mal-assombrado… O livro de hoje mostra a realidade que pode, muitas vezes, ser bem mais horripilante que a ficção.

Dia 8 – O livro mais assustador que já li

Quem já leu O Mito da Beleza, de Naomi Wolf entenderá perfeitamente do que estou falando. É um livro bastante revelador, que demonstra como a construção de estereótipos e de paradigmas inatingíveis de beleza atinge as mulheres e como isto contribui para que elas não busquem os seus objetivos. Ou a sua felicidade.

Naomi explica como mecanismos de manipulação aparentemente inofensivos fazem com que várias mulheres não se sintam totalmente livres, pois a busca constante pela beleza se revela como um meio de coerção social altamente opressor.  E segundo ela, a ideia de beleza e de juventude “eternas” exerce a mesma função que as concepções de domesticidade, de maternidade e de delicadeza, (compreendidas como atributos mais importantes para o sexo feminino) já não são mais capazes de desempenhar em tempos atuais.

Mas por que considero O Mito da Beleza  tão assustador? A resposta é bastante simples. Que mulher que nunca se sentiu mal por não corresponder a um determinado padrão de beleza?  Quantas revistas sobre dieta, cabelos, corpo e moda são destinadas exclusivamente às mulheres? Quando ligamos a TV, vemos quantas mulheres seminuas, com corpos esculturais? E quando há alguma reportagem ou homenagem a alguma profissional consagrada, qual a primeira coisa que é mencionada em relação a ela? Sua competência, ou a sua beleza?

Todas estas questões quase sempre não são amplamente debatidas por nós. É que é algo que vemos tanto, com o qual estamos tão acostumad@s que acabamos por acreditar que tal condição é natural. E essa aparente naturalidade nos torna passiv@s diante dos fatos. Fatos que tanto nos oprimem.

Ler este livro me assustou justamente por isso, porque fez com que eu passasse a compreender como quase tudo que pensei ou desejei era, na verdade, fruto de uma manipulação massiva e muito bem sucedida, que tem total respaldo da nossa sociedade capitalista e patriarcal. O Mito da Beleza é imprescindível para todos que querem compreender os mecanismos (quase sempre mascarados) que permeiam as informações que   recebemos, aquilo que queremos e até mesmo os nossos gostos ou escolhas.

Naomi Wolf, sob sua ótica feminista, deixa bem claro neste livro que o “arquétipo” da modelo esquálida e alta tomou o lugar do da dona de casa feliz e realizada.  E este atualmente se configura como uma espécie de “ideal” que toda mulher deve almejar, por mais bem sucedida ou independente que seja. Ideal que, tal qual o da maternidade/casamento, seria fundamental para que ela se sinta completa.

O Mito da Beleza é, sem sombra de dúvidas, um dos melhores livros que já li. E para finalizar, segue um pequeno trecho, como uma prévia de uma obra que certamente abriu e abrirá muitos olhos. Muitas mentes. Mesmo que seja tão assustador. E se posso dizer, não é o livro que é assustador…  Assustadora é a forma como tanta coisa é manipulada para nos alienar:

“A “beleza” é um sistema monetário semelhante ao padrão ouro. Como qualquer, sistema, ele é determinado pela política e, na era moderna no mundo ocidental, consiste no último e melhor conjunto de crenças a manter intacto o domínio masculino. Ao atribuir valor às mulheres numa hierarquia vertical, de acordo com um padrão físico imposto culturalmente, ele expressa relações de poder segundo as quais as mulheres precisam competir de forma antinatural por recursos dos quais os homens se apropriaram.”

                                                                                             [Naomi Wolf. O Mito da Beleza, pg 11]

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Quem se perdeu fui eu. E não foi por amor.

Que os críticos literários não me ouçam (leiam). Mas o fato de um livro ser considerado um grande clássico não é o suficiente para que ele seja tido como bom por todas as pessoas. Ou gostoso de ler. Não que eu discorde da importância que eles tiveram e têm para a Literatura (até porque, não poderia pensar assim em virtude da minha formação acadêmica). É que a forma como esse tipo de publicação é difundida talvez não seja a mais adequada. Para mim, pelo menos, não foi.

Quando afirmo que não foi, falo de contextualização.  E a ausência desta contextualização na época do meu primeiro contato com o livro sobre o qual falarei nesta etapa do 1 mês, 30 livros, pode ter sido uma das principais responsáveis pela minha “repulsa”  por praticamente todas as publicações que li, representantes do Romantismo Português.

Dia 7 – Um livro que odiei, mas li para a escola

Falo de Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco. Que livro chato! Como foi horrível ter apenas duas semanas para  o ler inteirinho…

Lembro como se fosse ontem: prova final, 1º ano do Ensino Médio. Se já não bastassem as pressões que sofríamos por conta da quantidade de matérias que teríamos que estudar, ainda havia a difícil prova de Literatura. E naquele ano, 2003 para ser mais exata, eu estava com dificuldade excessiva ( para não dizer insuperável) em Física e Matemática. Por isso, me dediquei bastante a estas duas matérias e “esqueci” que TINHA que ler o livro. O pior, foi quando começei: era interminável.

O enredo de Amor de Perdição descreve muitíssimo bem todo o ideal do amor romântico: sofra, sempre. Porque amar é sofrer, senão, não tem graça.  Namoro às escondidas, as famílias que eram contra o amor do casal, situações piegas, “vassalagem” do mocinho, passividade da mocinha. Nada disso nunca me atraiu, e neste livro, há todas estas caracteristicas para nos “esbaldarmos”. Considerando o momento histórico (século XIX) em que ele foi escrito, é plausível que aceitemos tais elementos.

Como o próprio nome diz, o Romantismo é justamente isso: idealizar demais. É colocar o “amor” como solução e como objetivo para tudo e todos. Principalmente em Portugal, esta escola literária teve muita representatividade. Confesso que “prefiro” o Romantismo Brasileiro, que apresenta uma idéia mais realista das experiências e das situações. Mas este é apenas o meu juízo de valor e não me sinto no direito de desmerecer um autor ou um livro.

Espero que um dia, eu consiga ler novamente Amor de Perdição. Quem sabe com um outro olhar, eu aprecie mais uma leitura que em nada me estimulou. Preciso superar a lembrança daquele “C” que tirei por ter criticado-o abertamente na questão dissertativa número 2, da prova de Literatura mais infame de toda a minha vida. Sem que ninguém escreva, à tinta vermelha, que “me perdi nesta questão”.

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Uma escolha difícil… Ainda mais quando o assunto é Clarice

Quem me conhece bem, sabe que sou a mais indecisa (uhum, sou libriana) das criaturas. E isto não é um exagero não, pois hoje mesmo quando uma amiga perguntou : “Cláu, qual filme você gostaria de assistir?”, eis que respondi prontamente com  “ah, o que você decidir para mim está bom”. Enfim.

“Você quem sabe”, “tanto faz”, “preciso pensar melhor” são frases que ecoam aos montes na mente de um/a indeciso/a. Há quem diga que pessoas com dificuldades em tomar decisões não passam de covardes. Não que eu discorde totalmente disso, mas não chamaria de covardia. Prefiro denominar tal condição como uma dificuldade, como todo mundo tem de fazer alguma coisa.

Mas o que isso tem a ver com o 1 mês, 30 livros? Tudo! Foi uma tarefa árdua  identificar qual livro dela que gostei mais. E quem seria ela?  Clarice Lispector, minha autora favorita :).

Dia 6 – Um livro de meu autor favorito

Este não é exatamente o livro que mais gostei de Clarice. Mas Laços de Família tem muito a ver com o meu momento atual. Um momento em que minhas relações familiares têm exercido grande influência – para não dizer peso – sobre mim. E tenho convicção que assim como eu, boa parte das pessoas que conheço já deve ter se questionado sobre como a família tem em si própria, retratos caricatos da falha “natureza” humana.

Clarice evidencia com louvor todos estes retratos neste livro. Livro que aborda desde sentimentos como inveja até a idéia de solidão e de hipocrisia. Sempre daquele jeito “classudo” e profundo, que só ela  soube como fazer tão bem.

Laços de Família é um livro de contos. Contos que com certeza, foram inspirados em fatos reais. E todos eles são narrativas muito ricas, detalhadas e até “palpáveis”, fazendo com que o leitor sinta-se como parte delas. E dentre todos, recomendo com veemência o conto  Feliz Aniversário, que exprime claramente o que citei acima.

A obra de Clarice Lispector não é de leitura fácil. Mesmo com a aparente simplicidade de sua linguagem,  digo que é difícil porque mexe muito com a gente. Mexe com aquilo que tentamos esquecer, com aquilo que tememos ou sobre o qual não gostamos de falar. Aquilo  que nos causa desconforto. Mas se você decidir prosseguir neste universo tão peculiar que engendra os textos desta brilhante escritora, saiba que é um caminho sem volta, de tão inebriante.

E quanto à isso, fui bastante decidida. E não me arrependo!

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