No momento certo

Enfim, estou de volta. Depois de uma situação muito conturbada pela qual passei e que ainda terei de superar. Juro que pensei em desistir, porque escrever infelizmente não vai resolver os meus problemas. Talvez nem os do mundo. Mas há algo em mim que ecoa tão forte, tão profundamente que fez com que eu não concretizasse tal pensamento.

Dei como título para este post e a expressão “no momento certo”. Sim, eles existem e condizem com tudo que acontece conosco. Não houve momento melhor como este para que eu prosseguisse com o 1 mês, 30 livros. Justamente porque vou falar de tristeza.

Dia 9 – O livro mais triste que já li

Foram vários os livros tristes que li. Alguns até muito mórbidos. No entanto, nenhum deles foi mais que O Caçador de Pipas, de Khaled Hosseini. Este livro foi um – e ainda é – merecidamente um sucesso. Quando temos (ou achamos ter) uma bagagem razoável de leitura, nutrimos um certo preconceito em relação aos best sellers. Talvez, pela sua popularidade, ou então para simplesmente repetir o discurso que vários teóricos usam para “ditar as regras” daquilo que é ou não Literatura.

O livro tem como ambientação um Afeganistão que muita gente não conheceu ou imaginou que existia. Ainda que nunca tenha sido um Estado Laico (como o próprio nome diz, é a República Islâmica do Afeganistão), era um país em que as pessoas exerciam com uma certa temperança, a sua cultura e seus costumes. Por mais que boa parte de nós ocidentais não concordemos com certas tradições árabes ou muçulmanas, nada justifica segregar determinado povo por conta deles. E atualmente, o que vemos é um povo estigmatizado, por razões que vão muito além dos ataques de 11 de setembro.

Mas falemos do enredo, propriamente dito: dois garotos, amamentados pela mesma mulher, viviam juntos em Cabul, na década de 70, antes portanto da invasão soviética e da “intervenção” do regime Talibã. Um deles, Amir, era muito rico e tinha tudo do bom e do melhor. Hassan era uma espécie de “criado”, que fazia de tudo por Amir. Inclusive, defendê-lo de brigas. O romance dá a entender que eles eram muito amigos, gostavam das mesmas coisas e tinham um hobby em comum: pipas.

Amir nutria por Hassan um misto de admiração e de inveja. Hassan, apesar de ser pobre e de sofrer tanta discriminação, tinha qualidades que, aos olhos de Amir, ele jamais poderia alcançar. Um dia, quando finalmente Amir teve a chance de dar uma prova de amizade, ou pelo menos de gratidão a Hassan, eis que a sua covardia prevaleceu. E a culpa o perseguiu por um bom tempo…

Não vou entrar em mais detalhes da obra, porque espero sinceramente que vocês leiam. Acho O Caçador de Pipas bastante triste por duas razões: a primeira, é que fala de um país que em meio a tanta guerra e opressão, talvez nunca será livre; a segunda é porque fala do lado podre dos seres humanos, do preconceito, das diferenças de classes e suas interferências no nosso olhar sobre o outro.

E desculpem novamente pelo “abandono”. Eis-me aqui, novamente. No momento certo!

**P. S. Estão curtindo o desafio? Pois então confiram também as participações da Luciana, da Niara, da Renata, da Marília,  da Mayara, da Grazi, da Rita, da Tina, da Juliana , do Pádua e da Renata Lins,  blogueir@s querid@s e sempre inspirador@s 😉

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Sobre Cláudia Gavenas

Paulistana, 26. Designer, gateira, feminista e musical. Meio perdida na vida, mas não tem certeza se realmente quer se encontrar...
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4 respostas para No momento certo

  1. Pois é Claudia na ultima vez que conversamos eu assumi um certo preconceito com esse livro, e depois fiquei pensando se realmente eu não o havia lido pelo preconceito, mas cheguei a conclusão que não foi isso não. Na verdade eu ainda não li O Caçador de Pipas primeiro porque ele não está na minha lista de leituras, que cresce a cada dia, e segundo porque a adaptação cinematográfica desse livro foi ” triste”, no sentido de mal feito. O filme, na minha opinião, é muito ruim e o que achei de pior foi justamente o mau desenvolvimento do enredo. Mas filme é outra coisa, então, vou aguardar o momento certo e ler, aí terei uma opinião. De qualquer forma confesso que diante de seu breve relato sobre sua leitura fiquei curioso.
    Parabéns mais uma vez pelo blog, que leio sempre, pena não poder comentar todos os seus posts. Sabe como é o tempo, né? bjs e bom trabalho.

  2. Luciana disse:

    Eu li, realmente é um livro tocante. Que bom que você voltou. Escrever pode não mudar o mundo, mas nos transforma, né.

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