Quem se perdeu fui eu. E não foi por amor.

Que os críticos literários não me ouçam (leiam). Mas o fato de um livro ser considerado um grande clássico não é o suficiente para que ele seja tido como bom por todas as pessoas. Ou gostoso de ler. Não que eu discorde da importância que eles tiveram e têm para a Literatura (até porque, não poderia pensar assim em virtude da minha formação acadêmica). É que a forma como esse tipo de publicação é difundida talvez não seja a mais adequada. Para mim, pelo menos, não foi.

Quando afirmo que não foi, falo de contextualização.  E a ausência desta contextualização na época do meu primeiro contato com o livro sobre o qual falarei nesta etapa do 1 mês, 30 livros, pode ter sido uma das principais responsáveis pela minha “repulsa”  por praticamente todas as publicações que li, representantes do Romantismo Português.

Dia 7 – Um livro que odiei, mas li para a escola

Falo de Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco. Que livro chato! Como foi horrível ter apenas duas semanas para  o ler inteirinho…

Lembro como se fosse ontem: prova final, 1º ano do Ensino Médio. Se já não bastassem as pressões que sofríamos por conta da quantidade de matérias que teríamos que estudar, ainda havia a difícil prova de Literatura. E naquele ano, 2003 para ser mais exata, eu estava com dificuldade excessiva ( para não dizer insuperável) em Física e Matemática. Por isso, me dediquei bastante a estas duas matérias e “esqueci” que TINHA que ler o livro. O pior, foi quando começei: era interminável.

O enredo de Amor de Perdição descreve muitíssimo bem todo o ideal do amor romântico: sofra, sempre. Porque amar é sofrer, senão, não tem graça.  Namoro às escondidas, as famílias que eram contra o amor do casal, situações piegas, “vassalagem” do mocinho, passividade da mocinha. Nada disso nunca me atraiu, e neste livro, há todas estas caracteristicas para nos “esbaldarmos”. Considerando o momento histórico (século XIX) em que ele foi escrito, é plausível que aceitemos tais elementos.

Como o próprio nome diz, o Romantismo é justamente isso: idealizar demais. É colocar o “amor” como solução e como objetivo para tudo e todos. Principalmente em Portugal, esta escola literária teve muita representatividade. Confesso que “prefiro” o Romantismo Brasileiro, que apresenta uma idéia mais realista das experiências e das situações. Mas este é apenas o meu juízo de valor e não me sinto no direito de desmerecer um autor ou um livro.

Espero que um dia, eu consiga ler novamente Amor de Perdição. Quem sabe com um outro olhar, eu aprecie mais uma leitura que em nada me estimulou. Preciso superar a lembrança daquele “C” que tirei por ter criticado-o abertamente na questão dissertativa número 2, da prova de Literatura mais infame de toda a minha vida. Sem que ninguém escreva, à tinta vermelha, que “me perdi nesta questão”.

**P. S. Estão curtindo o desafio? Pois então confiram também as participações da Luciana, da Niara, da Renata, da Marília,  da Mayara, da Grazi, da Rita e da Tina, blogueiras queridas e sempre inspiradoras 😉

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Sobre Cláudia Gavenas

Paulistana, 26. Designer, gateira, feminista e musical. Meio perdida na vida, mas não tem certeza se realmente quer se encontrar...
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6 respostas para Quem se perdeu fui eu. E não foi por amor.

  1. juliana disse:

    Adoro esse livro. Tive aula com uma professora que tem uma leitura mais moderna dele. É claro que todos os elementos classicões do romantismo tão lá, sobretudo porque o Camilo era um escritor best seller ( escrevia o que o povo gostava de ler), mas há uns desvios muito legais, especialmente no que diz respeito às mulheres. Se vc reler algum dia pra curar esse trauma ( risos solidários), preste atenção na Mariana. Ela tem uma autonomia maior que as suas pares, tem seu próprio dinheiro ( ela praticamente sustenta o herói) e escolhe o seu destino. Tá certo que não é um destino incrível, mas pelo menos ela não tem aquela morte típica de mocinha romântica.

    • Cláudia disse:

      Nossa, Juliana, eu nunca consegui ter essa mesma visão. Até porque, a leitura que tive desse livro foi um tanto quanto traumática para mim. Mas faz parte, espero poder ler com outros olhos em breve! Abraço 🙂

  2. mayroses disse:

    hahahaha acredita que eu também gostei. Li para o colégio também, mas quase todos os livros que fui “obrigada” a ler, acabaram me agradando. Concordo com você que é pra lá de piegas e carrega todo esse maldito ideal de amor romântico. Imagino que hoje eu não iria gostar também, mas, na época, foi uma leitura agradável. Mas compreendo demais a chatice que é uma leitura sob pressão…veja oq aconteceu com a Pollyanna.rs. Beijos!

    • Cláudia disse:

      Poxaaaa! Hoje conversei com uma professora amiga minha. Ela também adorou e leu por obrigação! Ai, acho que o problema está em mim :P. Um abração, May!

  3. Luciana disse:

    eu gosto muito. mas li sem pressão nenhuma…

    • Cláudia disse:

      Ai Lú, você teve muita sorte! Livro mais indigesto de todo o Ensino Médio, com toda a certeza :(. Mas como eu disse no post, não acho justo desmerecer uma publicação pelo simples fato de eu não ter gostado.
      Um abraço!

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