A secura que marejou os meus olhos e mudou meu modo de pensar

Foi no 2º ano do Ensino Médio. E eu, para variar, estava no grupo de alunos que mais gostava de Língua Portuguesa e Literatura. E se posso dizer, tive muita sorte. Sorte porque estudei a vida toda em escola pública e mesmo em meio à tanta precariedade do sistema (que tantas pessoas atribuem equivocadamente ao professor), afirmo que sempre recebi muito incentivo para prosseguir com meus estudos.

E devo reconhecer que pertenço a um grupo privilegiado de pessoas porque tive oportunidades. E dentre elas, houve uma professora muito especial que fez com que eu me dedicasse bastante para alcançar meus objetivos. E boa parte desta dedicação foi norteada pela Literatura.

Achei importante fazer esta introdução por um motivo bem simples: foi justamente neste período em que se deu o meu primeiro contato com o livro sobre o qual falarei hoje, continuando o desafio 1 mês, 30 livros. Tal publicação é considerada um grande clássico do Modernismo brasileiro e um importante retrato de um povo que historicamente, vivenciou mazelas irreparáveis…

Dia 4 – O primeiro livro que me fez chorar

Muitos livros já me emocionaram bastante. Mas nunca nenhum deles chegou ao mesmo patamar que Vidas Secas, de Graciliano Ramos. Certamente, é uma leitura difícil. Não difícil do ponto de vista linguístico, visto que não há muito rebuscamento ao longo da articulação do enredo. Mas difícil do ponto de vista psicológico e social. É uma história forte e triste. Seca, como o próprio título presume.

Nem sempre pessoas como eu, que vivem em grandes cidades do Sul e do Sudeste do Brasil, como é o caso de São Paulo – cidade em que nasci e moro – percebem a magnitude da situação difícil que muitos nordestinos sofreram ( e sofrem até hoje) em virtude da seca e da dura vida no sertão. E Vidas Secas descreve com tanta perfeição este cenário que é possível que a gente se sinta como parte da história. E que a gente acabe torcendo para que aquela família tão sofrida e é claro, a cachorrinha Baleia, tenham um final feliz e que sobrevivam à tanta miséria.

Graciliano Ramos acertou em cheio ao fazer uma crítica social tão direta em sua obra.  Ainda que ao longo do texto não haja a interferência do narrador, o próprio decorrer dos fatos já faz com que haja muito inquietação e inconformismo por parte de quem lê. Quem tem um mínimo de humanidade e de amor pelo próximo não consegue fazer uma leitura neutra ou imparcial deste livro.

Vidas Secas foi para mim um marco para o despertar da minha consciência social, ainda que o enredo nada tenha a ver com a realidade em que vivi.  E não farei aqui uma análise literária completa desta obra, porque eu quero e muito que quem ainda não teve a oportunidade de conhecê-la, o faça o quanto antes. Afinal de contas, este livro é muito emocionante e é um exemplo nítido do poder transformador que a Literatura pode exercer sobre nós.

**P. S. Estão curtindo o desafio? Pois então confiram também as participações da Luciana, da Niara, da Renata, da Marília,  da Mayara, da Grazi, da Rita e da Tina, blogueiras queridas e sempre inspiradoras 😉

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Sobre Cláudia Gavenas

Paulistana, 26. Designer, gateira, feminista e musical. Meio perdida na vida, mas não tem certeza se realmente quer se encontrar...
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3 respostas para A secura que marejou os meus olhos e mudou meu modo de pensar

  1. renatalima91 disse:

    Foi o livro que me fez chorar também…

  2. may disse:

    Adorei a escolha. Também tenho grande carinho por esse livro. Ele é pura emoção e p/ quem cresceu no sertão então…lembranças muitas.

    • Cláudia disse:

      Poxa Mayara, que legal saber desta parte da sua história. E obrigada por compartilhá-la comigo e por vir aqui prestigiar o meu blog. Seja muito bem vinda!

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