“Fábricas” de livros, seus mistérios e as doces lembranças de uma infância linda

Saudade é tudo que define o que sinto quando me lembro da época em que eu era uma daquelas garotinhas curiosas, cuja imaginação ia tão longe que dá vontade de rir só de pensar. Eu era uma criança que adorava inventar as próprias brincadeiras. Que apesar de ter vários amiguinhos, gostava mesmo era de brincar sozinha. Ora era bruxa, ora era professora ou artista. Criava vários “mundos perfeitos” e era, acima de tudo, feliz. Mesmo com o meu jeitão e com algumas adversidades que enfrentei e sobrevivi.

Sou da geração dos anos 90. Uma geração que ainda não era tão “conectada”, com tanta informação disponível quanto hoje. E desde cedo, nutri um gosto muito profundo pela leitura. Lia de gibis a livrinhos de ciências da escola com muita empolgação, achando tudo o maior barato! E digo com toda certeza que o post de hoje será um dos mais gostosos de escrever para o desafio 1mês, 30 livros.

Dia 3 – O meu livro favorito quando criança

Não foi nada difícil fazer esta escolha, pois o livro que apresentarei por aqui hoje me marcou demais e de maneira permanente. Até hoje me pego pensando em trechos dele em alguma situação do meu cotidiano. Esta publicação tão importante para mim é O mistério da fábrica de livros, do genial Pedro Bandeira.

Li pela primeira vez em 1998, quando o ganhei de presente de uma tia. Eu tinha 10 anos e dediquei boa parte do meu tempo para “decifrar” aquele mistério tão convidativo que era a “fabricação” de um livro. E a história é tão envolvente que lembro que chegava a ficar acordada até tarde, só para continuar a ler. Todo o enredo é baseado numa personagem feminina: Laurinha.

E como me identifiquei com ela! Laurinha era uma menina com uma imaginação tão fértil quanto a minha, que nutria um sentimento muito especial por um garoto do mesmo colégio dela, Adriano. Um belo dia durante um passeio por um bosque de eucaliptos, eis que os dois dão seu primeiro beijo e em seguida, o garoto marca em um dos eucaliptos um coração com as iniciais dos dois. Adriano então “batiza” a árvore de “seucalipto”, como forma de dizer para Laurinha que aquele eucalipto era importante para os dois, pois perpetuava de alguma maneira um sentimento verdadeiro entre eles.

Dias depois, após um mal entendido, Laurinha procura desesperadamente pelo “seucalipto” e só encontra uma clareira. Então, ela passa a investigar que destino teve a árvore. Até descobrir que o eucalipto tinha sido cortado para ser transformado em papel. Isto foi o suficiente para ela ter uma grande idéia: “fabricar” um livro que contasse a linda história de amor dela e de Adriano, utilizando o papel vindo do eucalipto que foi cortado.

A narrativa se desenvolve e é norteada pela descrição detalhada de como é feito um livro: desde a fabricação do papel e de como funciona uma gráfica, até como é o trabalho de um escritor, de um ilustrador ou de um revisor, noções de processos gráficos e de tipografia! E outro aspecto interessante da obra é que Laurinha é durante todo o tempo, a personagem com mais iniciativa. E a imaginação dela é representada por um anjinho, que “cresce” toda vez que ela tem uma idéia. E além de tudo isso, este livro também ajuda a promover a importância da sustentabilidade, visto que a fábrica de papel presente no enredo praticava o reflorestamento, plantando dois eucaliptos para cada um que era cortado.

O mistério da fábrica de livros possui uma linguagem muito simples, cativante e divertida. É um livro que recomendo com veemência para crianças e adolescentes que estejam “em iniciação” no mundo das letras. Recomendo também para adultos que desejam resgatar alguns sentimentos ou lembranças que o peso do ritmo frenético do dia-a-dia talvez tenha feito com que  ficassem esquecidos, em algum lugar “empoeirado” de seus pensamentos…

Ah, Pedro Bandeira… Se eu pudesse, agradeceria pessoalmente com um forte abraço a contribuição maravilhosa que você deu para a Literatura Infanto-Juvenil brasileira. Como seus livros são divinos!!!  E como eles ajudam tantas crianças e adolescentes a compreender a vida com tanta leveza e sabedoria.

**P. S. Estão curtindo o desafio? Pois então confiram também as participações da Luciana, da Niara, da Renata, da Marília,  da Mayara, da Grazi, da Rita e da Tina, blogueiras queridas e sempre inspiradoras 😉 .

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Sobre Cláudia Gavenas

Paulistana, 26. Designer, gateira, feminista e musical. Meio perdida na vida, mas não tem certeza se realmente quer se encontrar...
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2 respostas para “Fábricas” de livros, seus mistérios e as doces lembranças de uma infância linda

  1. Luciana disse:

    O bom de ser novinha que nem você é ter na memória recente o livro da infância 😛

    • Cláudia disse:

      Ainn, Lú, fala isso como se fosse muito velha! Estou certa de que você se lembra também com uito carinho de tudo que foi especial em sua vida. E para isto, não tem idade!
      Obrigada por ter me feito participar deste meme. Como aprendo com vocês…

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