As circunstâncias e um livro que eu não gosto

Pode parecer mais uma daquelas frases feitas. Aquelas frases que se sustentam no boca a boca e que são perpetuadas pelo tempo. E a gente não percebe o que elas realmente significam de tanto ouvi-las por aí, tão livres.  Mas insisto em reforçar o coro dos que acreditam que a vida nos prega peças. Sim, “a vida nos prega peças” bem que poderia ser uma máxima. Se é que já não é.

O ano de 2011 já começou para mim dando indícios de que algo não ia bem. Que nada seria mais como antes.  Mas vocês sabem como é, né? Noventa e nove por cento das pessoas (eu inclusa) precisam insistir mil vezes no mesmo erro até compreenderem que de fato, estão erradas. Eis que na metade do ano, meados de junho, eu tive a confirmação de tudo que eu já presumia…

Doeu. Chorei. Fiquei alguns dias me perguntando no que eu falhei, ou o porquê de tudo ter terminado daquela forma. E assim foi por muitos dias, até eu me dar conta de que na verdade, não havia nada de errado comigo. E que essas coisas acontecem o tempo todo, com muito mais gente que eu era capaz de imaginar. Foi assim que ergui a cabeça e decidi seguir em frente. E ser forte.

Mas por que falar disso tudo???

Não que eu pense que vocês sejam obrigados a aturar as minhas lamentações. Mas não identifiquei uma maneira melhor que esta para prosseguir com o desafio 1 mês, 30 livros hoje. A obra que irei mencionar neste post tem muito a ver com a minha experiência pessoal.  E  com a de muitas outras mulheres, que são bombardeadas diariamente com “manuais de sobrevivência” dos mais variados tipos, que nada mais fazem do que tentar (mais ainda) ditar regras sobre como elas devem agir para atingir o que acredita-se ser o maior objetivo que qualquer uma delas pode alcançar: ter um homem para chamar de “seu”.

Dia 2 – Um livro que eu não gosto

Definitivamente, um dos poucos livros que eu não gostei foi o O que toda mulher inteligente deve saber, de Steven Carter e Julia Sokol. Achei que ele simplesmente não contribuiu para que eu melhorasse o meu cotidiano em nenhum aspecto que “favorecesse” o encontro de um grande amor. Tudo isso por um motivo muito óbvio: não há fórmula para um sentimento que deve surgir naturalmente.

Quando digo que o amor nasce de maneira natural, falo de espontaneidade. De amar o outro de graça, sem jogos. Amar o outro exatamente como ele/a é. Eu sempre tive isso como premissa e, sendo assim, um livro como o mencionado obviamente jamais iria me representar.

Este livro foi um sucesso de vendas no mundo todo. Através de uma breve pesquisa na web, constatei que foram mais de 300 mil exemplares só no Brasil – um número bastante significativo para o mercado editorial brasileiro – o que acabou despertando a minha curiosidade. Na época que o adquiri, ele estava com um preço bastante módico e isto exerceu grande influência no fato de eu não ter me arrependido totalmente pela compra. Porém, nada faz com que eu deixe de pensar que publicações deste tipo vendem tão bem porque muita gente ainda acredita que deve seguir um script para evitar sofrimentos. E com isso, acabam por sofrer cada vez mais.

Contudo, devo ressaltar alguns pontos positivos que identifiquei na obra e que por eles, considero a leitura válida: a linguagem, que é bastante leve e bem humorada; as dicas para reconhecer um homem agressivo em potencial; a idéia de que a mulher deve se valorizar, sempre. No entanto, o texto em sua totalidade é quase que inteiramente baseado na idéia do “faça isso, não demonstre aquilo, não seja assim ou assado, tome cuidado com…”, enfim, nada muito diferente do que algumas revistas femininas de grande circulação já oferecem. Notem também que os elementos gráficos da capa corroboram para o reforço dos estereótipos de gênero: predominância do cor rosa; a ilustração apresentando uma mulher jovem, de salto alto e magra…

Para finalizar (nossa, que post enorme!), devo dizer que estas foram apenas as minhas impressões com relação ao livro supracitado. Não desqualifico o estudo dos autores e tampouco, as pessoas que apreciaram-no. Toda leitura exige de nós o bom senso, avaliação e uma espécie de reconstrução das mensagens ou das idéias propostas de acordo com o nosso entendimento. Cada texto pede-nos um olhar e talvez, o seu olhar seja  diferente do meu. E é isto que faz o ato de ler algo tão subjetivamente rico e edificante.

Quanto às circunstâncias? Vida que segue! E o melhor: sem ressentimentos, sem culpa e sem nenhum manual que “prive” a minha liberdade. Liberdade de errar (ou de acertar), inclusive.

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Sobre Cláudia Gavenas

Paulistana, 26. Designer, gateira, feminista e musical. Meio perdida na vida, mas não tem certeza se realmente quer se encontrar...
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5 respostas para As circunstâncias e um livro que eu não gosto

  1. Mulher disse:

    Nossa! Me identifiquei muito com seu post. Meu ano tb não foi fácil. Parece que na verdade ele começou a melhorar nessa semana (e olha que ainda é terça!). Tenho a impressão que todas as fichas caíram. Essas coisas estranhas acontecem mesmo. Eu cheguei até a achar que era macumba, hehehe.. Mas é só a vida. Coragem pra nós! Bjs

    • Cláudia disse:

      Muito obrigada pelo incentivo! E sim, a vida nos prega milhões de peças o tempo todo. Sobretudo quando há algo melhor que está por vir!
      Grande abraço e espero ver você sempre por aqui!

  2. mayroses disse:

    Achei você corajosa de enfrentar a leitura desse livro. Eu já li alguns do gênero, mas desisti de definitivamente…uma bobagem sem fim. Muito bom o post, querida. E vamos pra frente com nosso desafio 😉

  3. Luciana disse:

    Que lindo e corajoso post…affe, menina, delícia! Eu não li e não gostei, heheh. Bjs!

  4. Nadia disse:

    Adorei o post Clau! Esses livros de auto ajuda subjugam totalmente a capacidade da mulher de conseguir lidar sozinha e achar soluções criativas para qualquer tipo de situação.

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