Mais um ano sem Ian Curtis

Fonte: Remember Ian Curtis - http://www.joydivision.homestead.com

        Há exatos 31 anos, mais precisamente em 18/05/1980, o mundo recebeu a notícia da morte de Ian Curtis, aos 23 anos de idade. Meus pais nem sequer imaginavam que eu viria a existir quando o então líder do Joy Division cometeu suicídio.  Mas por ironia do destino, o Joy Division (ícone pós – punk da década de 80)  é uma das minhas bandas favoritas, ainda que eu tenha vindo ao mundo mais de nove anos depois de seu fim.

        Sim, uma das minhas bandas favoritas! E faço tal afirmação sem pestanejar porque as suas músicas são atemporais. Atuais, diria. Atuais porque apesar de significativas mudanças de valores, de estilos, de comportamentos e de pensamentos que a humanidade sofreu – dentro de seus diversos contextos culturais, obviamente – ainda há a necessidade de muita ação e reflexão diante dos rumos que ela irá tomar no futuro. E nesta temática, Ian Curtis era particularmente bom.

        Li certa vez em algum lugar do qual não me recordo agora que Ian compunha músicas baseadas em sua própria vida, na vida das pessoas, em seus problemas e nos problemas das outras pessoas. Isso podia ser percebido até mesmo nas suas coreografias, que eram claramente baseadas nas contrações provocadas pelas inúmeras crises de epilepsia que ele sofreu ao longo de sua existência e em suas inquietações. E quando penso em artistas como ele, logo me vêm à cabeça os escritores do chamado Ultra Romantismo, com seu lirismo exacerbado, suas belas obras e suas vidas breves.

        Muito se especula até hoje sobre as possíveis razões que levaram um rapaz tão jovem, um músico tão promissor a suicidar-se. Alguns dizem que foi porque ele não suportou o sucesso e a repercussão mundial que o Joy Division teve. Outros afirmam que um conjunto de problemas com divórcio, com casos extra-conjugais e uso excessivo de remédios contra a epilepsia o levaram a cair numa profunda depressão. Mas quem somos nós para tentar julgar ou compreender as razões que fizeram com que uma pessoa definhasse?

        Enfim. Eu não poderia deixar de prestar a minha homenagem a um dos meus maiores ídolos. Sim, um ídolo que eu nem tive a oportunidade de acompanhar sua trajetória. Um ídolo que morreu com a mesma idade que tenho hoje. Um ídolo que fez canções que me representam genuinamente e que sei que assim será com muitas e muitas gerações. E para ilustrar, compartilho um vídeo com a música Disorder. Chamo a atenção principalmente para este trecho: “I’ve been waiting for a guide to come and take me by the hand/ Could these sensations make me feel the pleasures of a normal man?/ These sensations barely interest me for another day/ I’ve got the spirit, lose the feeling, take the shock away(…)” Traduzindo: “Aguardei  por um guia que viesse e me levasse pela mão/Estas sensações podem me fazer sentir os prazeres de um homem comum?/ Estas sensações mal me mantém interessado para outro dia/ Eu peguei o sentido, perdi a sensibilidade, ignoro a surpresa(…) “. 


        Descanse em paz, Ian. A paz que você provavelmente não teve em vida.

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Sobre Cláudia Gavenas

Paulistana, 26. Designer, gateira, feminista e musical. Meio perdida na vida, mas não tem certeza se realmente quer se encontrar...
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9 respostas para Mais um ano sem Ian Curtis

  1. Dj Klaatu disse:

    Olá parabéns pelo seu post, convido-a para nossa festa um tributo anual a Ian Curtis / Joy Division – veja em http://aeroflith.blogspot.com.br/ contatos em djklaatu@hotmail.com. Obrigado e sorte sempre !

  2. ..e tb ♥ Joy Division.

  3. E aí Claudia, Assistiu? Eu ainda não tive oportunidade de ver, mas deve ser legal.

  4. correção: “grito”

  5. Gostei. Bela homenagem. Aliás gostaria de acresentar uma curiosidade, Ian era filho de Kevin Curtis, um bibliotecário apaixonado por poesia que fora a grande, e talvez maior, influência na vida de Ian. Kevin chegou a publicar um pequeno livro de poesias numa editora chamado livebook, em Salford, que se perdera com a falência da editora em 1974 e que hoje é objeto raro nas mãos de poucos felizardos. Agora a grande surpresa – O nome do livro era ‘Save Dooren and Mary’ uma alusão direta a sua esposa Dooren e a Mary Wollstonecraft, ícone da literatura feminista. Assim, concluo, Ian Curtis está mais próximo de seus pensamentos do que imaginara.
    O livro em questão terá uma reedição eletrônica pela Amazon até o final desse ano.
    Beijos e parabéns pela retomada do Blog, seus leitores sempre esperam ansiosos.

    • Cláudia disse:

      Poxa Ari, muito legal saber dessas informações. Ficarei de olho nesse relançamento da Amazon, pois tudo que envolve a vida de Ian muito me atrai. Obrigada pelo carinho :)!

      • Ficarei atento também, qualquer novidade eu dou um griot ok.bjs

      • Cláudia disse:

        Agradeço muito, Ari! Olha, assistirei nesse fim de semana o filme “Control” que é baseado na vida e na carreira de Ian. A semelhança do protagonista do filme com o líder do Joy Division é simplesmente assustadora.

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