Publicidade em favor da cidadania

Antes de começar, gostaria de pedir desculpas pelo sumiço. Eu tive uma gripe muito forte somada a uma série de compromissos intermináveis, que fizeram com que minha rotina se transformasse em algo bem bizarro. Agora que as coisas estão em ordem, voltei firme e forte. E falando de publicidade!

 

 

Neste post, pretendo dividir com vocês as minhas impressões e ideias a respeito de excelentes e criativas campanhas publicitárias de diversos países, que abordam principalmente temáticas de conscientização. Não me ative em enumerar ou mencionar as respectivas agências responsáveis pelos processos de criação, mas sim em demonstrar como a genialidade atrelada a questões ambientais, comportamentais, de utilidade pública, de justiça social e de política podem  –  e muito –  contribuir para formar cidadãos mais críticos, questionadores e ativos. Vamos lá?

1 – AIDES: ONG francesa que investe muito em propagandas divertidas e bem humoradas na luta contra a AIDS.

Mensagem: o gato “safadinho” Smutley tem nove vidas. Mas como você não tem, previna-se!

Mensagem: sexo? Só se for seguro!

 

2 –  Reacciona Ecuador, el machismo es violencia:  uma das melhores e mais inteligentes campanhas governamentais que já tive oportunidade de ter contato. Apresenta-se como uma série de comerciais que retrata assuntos como: misoginia, teoria dos gêneros, a “naturalização” de comportamentos violentos e a emancipação das mulheres. Certamente, um exemplo que deveria ser seguido por muitas nações.

Mensagem: a “construção” social  dos gêneros e de padrões de atitudes em que a mulher é frágil e passiva e o homem agressivo e dominante.

Mensagem: a mulher não precisa seguir o ideal de “felicidade” imposto a ela há séculos. Ela pode e deve ser o que quiser, pois é livre para isso.

Mensagem: o retrato de um misógino e a naturalização de comportamentos execráveis impostos como “masculinos”.

 

3 – Time to change – Reactions :  como vocês reagiriam ao descobrir que alguém com quem vocês convivem é portador de alguma deficiência mental? E como vocês lidariam com essa pessoa? Reflitam, com esse comercial fantástico e super engraçado!

 

4- Climate Kid : propaganda sobre as mudanças climáticas muito bem elaborado. Iniciativa da Unicef do Reino Unido com o título de “Do the green thing”.

 

5 –  It’s in Your Hands : esta propaganda chama a atenção para duas questões fundamentais:  a importância da água para a nossa saúde e quão necessário é usá-la com consciência, por ser um recurso natural passível de escassez a curto prazo.

 

6- DOC 2 DOC  S.O.S. : com um comercial bastante criativo, esta entidade norte americana sem fins lucrativos fala sobre seu trabalho: doar suprimentos médicos utilizáveis para países em desenvolvimento.

 

7 – Campanha Institucional Dia Internacional da Mulher: um exemplo de propaganda nacional excelente, da Secretaria de Políticas Públicas para as Mulheres. Por que excelente? Porque estimula e promove a autonomia da mulher. E ainda que muitas conquistas tenham acontecido, o Brasil ainda está MUITO LONGE de deixar de ser um país de cultura e pensamento machista. Com o slogan “quando as mulheres transformam a sua história, o Brasil inteiro se transforma com elas”, é nítido e legítimo o incentivo para uma participação mais significativa e igualitária delas na nossa sociedade.

Os vídeos apresentados aqui demonstram claramente que a publicidade da era globalizada não deve ser entendida apenas como um meio eficiente de vender produtos, de incitar o consumo ou de promover alguma marca. Ela pode sim ser um instrumento que contribui para a cidadania e para a consolidação efetiva das nossas opiniões e dos nossos valores.  E vocês, o que me dizem?

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Sobre Cláudia Gavenas

Paulistana, 26. Designer, gateira, feminista e musical. Meio perdida na vida, mas não tem certeza se realmente quer se encontrar...
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2 respostas para Publicidade em favor da cidadania

  1. Olá Cláudia, que post fantástico. Com essa sua publicação tive a oportunidade de ver propagandas das quais dificilmente eu veria. Confesso que me emocionei com algumas delas.
    Não sou um conhecedor dos processos de produção de propaganda, mas sempre tento observá-las com um olhar no discurso. O resultado quase nunca é bom para os publicitários, no meu ponto de vista. Ou seja, eles quase nunca me convencem de suas propostas.
    No entanto, os vídeos que você postou foram muito convincentes, exceto algumas exceções, em sua proposta. Uma das exceções é o vídeo institucional brasileiro sobre a inserção da mulher no mercado de trabalho. Não vou me ater às observações sobre esse vídeo, prefiro falar daquele que gostei mais.
    O vídeo que mais gostei foi It´s in Your Hands- um vídeo simples, de uma profundidade estética absolutamente dialética com o enunciado, já que nada pode ser mais humano na história da engenharia do que uma estrutura artesanal para o saneamento básico. Achei a ideia fantástica nos aproximando do conceito de que água é tão necessário que faz parte de nós. A humanização da cena reflete essa relação.
    Climate Kid é muito criativo. Os vídeos sobre AIDS são bem trabalhados, se bem que sou um tanto quanto contrário às campanhas de uso da camisinha. Penso que elas promovem um tipo de relação descartável que pode ser vivida intensamente com a maior quantidade possível de pessoas e depois é só jogar no lixo. Não sou contra o uso da camisinha, que isso fique claro. Sou contra as campanhas para o uso da camisinha. Penso que deveria haver campanhas para promover as relações estáveis, àquelas em que as pessoas se conhecem e fazem da relação sexual uma parte de um processo de relacionamento e não uma relação completa.
    Outra surpresa boa foram os vídeos sobre Machismo e Violência produzidos no Equador. Eu não imaginava que eles estavam tão adiantados, em relação ao Brasil, nesse tipo de campanha. Penso que nos falta isso. Uma agência que dê as caras e defenda os direitos da mulher através de campanhas como esta. Volto a dizer, para mim Machismo e Feminismo são iguais, portanto, ambos são violentos, pois segregam, dividem e rotulam àqueles que deveriam ser vistos, ou tratados, como companheiros.
    Quanto a sua colocação final, a respeito do papel da publicidade, eu concordo plenamente com sua opinião. Acho que é uma tendência, inclusive, de que a publicidade assuma esse papel de divulgadora dos conceitos sociais modernos de cidadania, direitos humanos e respeito. Todos os vídeos postados tinham evidentes marcas de incentivo ao consumo. Basta que fiquemos atentos a estes detalhes para não sermos abduzidos tão facilmente pelas induções comerciais inseridas em vídeos, imagens ou textos apenas, aparentemente, compromissados com a conscientização da sociedade.
    Mais uma vez, valeu Cláudia, o post é muito legal e instrutivo.
    Beijos

    Ari

  2. Alves Rosa disse:

    Ótimo artigo. Concordo totalmente contigo. Acredito que a publicidade seja uma grande ferramenta para conscientização e transmissão de ideais. Infelizmente, aqueles que deveriam ser influenciados por tal mensagem acabam ignorando-a, isso quando entendem.
    Sad but true.

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