Juro que tentei descrever o que senti quando li a notícia sobre a barbárie ocorrida no município de Queimadas – PB. Mas foi muito difícil, tamanha a repulsa que me causou…
Dois irmãos promoveram uma festa e, com tudo cuidadosamente premeditado, simularam um assalto. Em seguida, estupraram 5 mulheres que lá estavam. Duas foram poupadas ( só porque eram a esposa e a namorada de dois dos homens presentes). E para completar a cena, digna de qualquer filme de terror, duas das mulheres estupradas foram brutalmente assasinadas porque reconheceram quem as estuprou. O mais chocante? Esse era o presente de aniversário para um deles. Isso mesmo, um presente.
Ao saber de casos assim, me pergunto até que ponto pode chegar a perversidade de certos indivíduos. Nada além de perversidade elevada a um extremo inimaginável pode justificar o porquê de tanta violência. Ódio puro. Ódio do qual (mais uma vez) as vítimas foram mulheres. Uma professora e a outra, recepcionista. E os algozes ( mais uma vez), eram homens conhecidos. Pessoas em quem elas confiavam e de quem jamais suspeitariam.
Dada a dimensão deste crime, é estarrecedor perceber que toda a divulgação em torno deste tenha sido quase que exclusivamente pela internet. A grande mídia televisiva pouco ou quase nada falou a respeito. Assim, a idéia de que os feminicídios estão cada vez mais banalizados mostra-se cada vez mais evidente.
Imaginam o sofrimento que essas mulheres vivenciaram momentos antes de terem suas vidas ceifadas por covardes nojentos? Imaginam como está a família delas? Imaginam como irão viver, de hoje em diante, as mulheres que sobreviveram? Será que estes criminosos serão punidos efetivamente?
Por fatos como esses que eu, sendo mulher, humana e cidadã, não consigo achar graça de abobados que fazem piadinha com estupro. Fico com o estômago embrulhado, triste, com raiva. Dói e ofende. Reduz a mim e a todas as mulheres a objetos que só servem para dar prazer aos homens. E por existir tantos homens que enxergam as mulheres como propriedade deles, estupros acontecem todos os dias. E quando não matam, deixam máculas irreversíveis na dignidade e na auto-estima de quem os sofre.
Este post faz parte da blogagem coletiva de repúdio realizada pelas Blogueiras Feministas e LuluzinhaCamp.





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Claudia, conheço algumas pessoas que moram nessa cidade, que é relativamente pequena e quase sem crimes. No entanto, os poucos crimes que acontecem impressionam pelo seguinte fato: A maioria são de violência contra a mulher. E quase sempre culminando em violência sexual e morte.
Ouvi relatos de que a cidade sofre com esse problema há mais de 3 anos e as autoridades não conseguem resolver. Tem-se a impressão de que os homens daquela região, com o devido cuidado para não generalizarmos, não encaram a violência com a mulher um crime, pois a conivência é outro fator que choca. Outro conhecido meu, que mora em Queimadas, afirmou que estupros são comuns na cidade e que a maioria das mulheres só relatam aos seus parentes, sequer fazem o registro de ocorrência.
Você viu a facilidade com que prenderam os estupradores? Sabe por que? Eles sequer pensaram em fugir. Numa cidade sei lei, pelo menos no que se refere à proteção das mulheres, é perfeitamente tranquilo um irmão oferecer de presente de aniversário ao outro uma mulher pra ser estuprada. Isso foi o que eles pensaram.
Agora, pensando nos relatos sobre a cidade que eu ouvi, acredito que eles só foram presos porque duas morreram. Se não ocorressem óbitos esses monstros certamente estariam soltos e contando aos amigos sobre a “festinha” que conseguiram realizar e, claro, planejando outras.
Na minha opinião a cidade precisa de uma intervenção do Ministério Público para apurar esse e todos os outros casos de violência contra a mulher, com ou sem óbito.
Os assassinos podem pegar até 30 anos, com cumprimento de 2/5 da pena, obrigatório, eles podem voltar às ruas em 7 ou 8 anos. Quanto aos que estupraram mas, “maluficamente”, não mataram a pena, contando os débitos de bom comportamento e tal, não passará de 3 anos.
Esse é o país do Futebol e do Carnaval! São por essas e outras que tenho orgulho em ser brasileiro (P).
Nossa, Ari. Que situação chocante. Imagino que essa “conivência” das vítimas seja fruto do medo e de uma educação que as ensinou a ser passivas. E que o homem pode tudo. Torço para que casos como esse não se repitam. E que os criminosos não fiquem impunes.