Saturno, esse planeta cheio de anéis gasosos em torno dele, longínquo e grandalhão tem uma simbologia muito interessante. Para várias culturas – especialmente a grega – este é o planeta regente do tempo. Dos objetivos a serem alcançados a longo prazo. Da prudência e da praticidade das nossas ações. E, talvez o aspecto mais curioso desta simbologia é que dependendo da posição em que ele está no firmamento no momento em que a gente nasce, teremos algo muito difícil de lidar ao longo de nossas vidas. Algo que exigirá muito aprendizado e talvez um certo sofrimento. E isso será bastante recorrente.
Sim, antes que me perguntem, fui astróloga. Há um bom tempo atrás, quando esses assuntos me fascinavam. E algumas coisas que têm acontecido comigo fizeram com que eu relembrasse desses momentos. E pensasse um pouco no conhecimento que ganhei. E sim, sei fazer mapas astrais. Fiz o meu e o de muita gente. E no meu, lá estava ele, Saturno. Justo na casa astral IV. Casa que representa o modo como sinto e manifesto as minhas emoções.
Se fosse naquela época, só isso explicaria o porquê das minhas atitudes. Não sei se atitude, porém, é o termo certo. Talvez escolhas. Tudo para mim leva tempo, tempo que geralmente é longo. Parece que cada segundo dos meus dias leva meses para passar. É assim também com as minhas “feridas”: elas sangram demais e quase nunca se fecham. Isso faz um mal… Para mim, é claro.
Escrevo sobre isso agora porque, por mais que eu já tenha entendido que tudo tem começo, meio e fim (tudo não, mas boa parte das coisas. A eternidade é uma das piores utopias que já conheci), eu não aceitei 100% (ainda, espero eu). O tempo, mais uma vez, me pregou uma peça daquelas. Dizem que ele é o melhor remédio para as tais “feridas”. Só que é bem neste momento que tanto faz quão relativo ele seja.
Não consigo. Não sei como tanta gente consegue, sério, queria a receita. E de forma alguma, os condeno. Vejo pessoas emendando um relacionamento no outro com tanta facilidade. Vejo tanta gente que ama genuinamente alguém que acaba de conhecer… E eu não consigo. Não funciona para mim. Não que isso me chateie, pelo contrário. Mas me intriga essa dificuldade que tanta gente tem de ficar só. Tanto quanto, me intriga o fato de eu não enxergar condição melhor para mim do que estar só. Eu sou feliz só. Eu sou eu mesma quando estou só. E a última pessoa com quem fui eu mesma o tempo todo já está em outra. Provavelmente nunca mais vai dar importância para o passado.
E fico aqui. O tempo pode sim ser um bom companheiro e um excelente professor. Culpa de Saturno. Ou não.










